27/12/2011

Cinema Digital

O impacto das tecnologias digitais na distribuição cinematográfica já é tema de debates constantes. A transmissão digital de dados via satélite está revolucionando a distribuição de filmes.
Segundo Edson Sofiatti, da empresa Star One, “um filme pode estar ao mesmo tempo em cinemas dos quatro cantos do país com custos muito menores para o distribuidor em relação à cópia em película” (2003, www.starone.com.br).
Os sistemas de transmissão e armazenamento da imagem e som de um filme, além das tecnologias de compressão e transmissão, se beneficiam de tecnologias originalmente desenvolvidas para outros setores, como exemplo, os sistemas de criptografia, desenvolvido para o setor bancário, que o torna seguro.
O filme será transmitido para os cinemas interessados, que armazenarão os dados no computador e terão o direito de exibi-lo certo número de vezes. Isso permite uma enorme distribuição de filmes e uma redução considerável dos custos de transporte, estocagem e legendagem. Essa economia beneficia, num primeiro momento, o distribuidor. Pequenos produtores poderão ganhar também, pois terão acesso a circuitos de exibição maiores, já que o custo de produção de cópias no novo sistema é bastante inferior ao de cópias em película.
Do lado do espectador, a vantagem é assistir a cópias sempre novas, sem perdas de qualidade de imagem e som, disponíveis num número maior de salas. Junto com a evolução na qualidade de captação de imagens em vídeo, a sofisticação dos recursos de computação gráfica, a expansão da internet em banda larga e a possibilidade técnica de gravar em vídeo na velocidade de projeção do cinema, pode-se agregar um quinto elemento, o e-cinema - electronic cinema (BLASIIS, 2002). Esse último elemento é a projeção digital.
Neste novo formato, poderemos exibir produtos audiovisuais originados de vídeo ou de película e finalizados eletronicamente, com resolução de mais de milhões de pixels e som multicanal digital. Este novo produto poderá ser "transmitido" via satélite ou fibra ótica de um único centro de distribuição para muitas salas de cinema e também poderá ser exibido a partir de mídias com alta resolução de imagens. Nos dois casos, a projeção digital representa uma grande economia para os setores de produção e distribuição, o que poderá trazer uma grande democratização de alcance nos meios de projeção.
Poderemos ter de volta às salas de cinema de pequeno porte (principalmente nas cidades do interior), com programações compradas via Internet e exibida via satélite; em alguns casos, a programação poderá ser adquirida em consignação, de acordo com a demanda de sessões necessárias para cada local.


Esse novo cinema pode ser um aliado das grandes distribuidoras, que buscam nele uma maneira de baratear seus custos de distribuição, pode também propiciar o surgimento de novas distribuidoras independentes o que, em conjunto com as demais transformações já em andamento, pode se tornar um importante fator para o aumento da participação de filmes brasileiros no mercado exibidor.
A grande questão do momento é quem irá pagar por uma transformação tão radical no setor audiovisual. Atualmente, de acordo com a Associação Cultural Kinoforum, um blockbuster americano gasta em torno de US$ 15 milhões em cópias para a sua distribuição mundial.
No total, o mercado dos grandes estúdios gasta por volta de US$ 4 bilhões ao ano em distribuição e exibição, num mercado mundial de mais de 125 mil salas de cinema (35 mil das quais situadas nos EUA). Uma análise feita com os custos atuais de instalação de uma sala de projeção digital conclui que, em dez anos, teremos por volta de 135 mil salas padrão contra cinco mil digitais. Mesmo com a grande pressão que os produtores exercerão sobre as redes de exibição para que se abequem ao sistema, os custos falarão mais alto ao exibidor. Será uma grande disputa entre produtores e exibidores. Esses fatores não impedem que a projeção digital possibilite o surgimento de espaços alternativos de exibição para produtos que poderiam jamais chegar ao público de outra forma, ou até mesmo deixarem de ser produzidos. A conjunção desses fatores não está tão longe de nós, mas já é o resultado de um processo em andamento. Atualmente, convivem duas grandes vertentes: os que produzem eletronicamente para exibir em película ou em digital, e os que produzem em película para finalizar e exibir por meio óptico ou eletrônico.
No campo óptico, praticamente tudo já foi experimentado e as novas tecnologias apontam para sua superação - há pelo menos dez anos a computação gráfica e a composição digital dominam o chamado cinema de efeitos especiais.
Futuramente a Internet irá complementar o processo de digitalização dos filmes lançados nos cinemas podendo realizar a sua transmissão para os projetores digitais na exibição em grande escala. A exclusão da película nesses procedimentos de exibição digital de um filme pode ser uma consequência. Isto aconteceu recentemente pela primeira vez, em caráter experimental com o desenho animado Titan A.E dos estúdios Fox.
O desenho animado de FC foi completamente transmitido pela Internet da Califórnia (EUA) para um projetor digital de um cinema em Atlanta (EUA). O arquivo de tamanho “gigante” (50 gigabytes), mesmo com conexões hiper velozes especiais, demorou 4 (quatro) horas para completar o download. O filme Star Wars - A Ameaça Fantasma, por exemplo, foi exibido digitalmente, mas Titan A. E é o primeiro filme a ser transmitido pela Internet.
Os grandes executivos das empresas envolvidas na operação acreditam que ainda vai demorar muitos anos para que o cinema veja o fim da película, pois os custos para uma exibição digital ainda são muito altos e as transmissões via Internet colocam em risco a questão dos direitos autorais e a pirataria.

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